Planejamento espacial em foco na IPBES
Você sabia que existe uma plataforma internacional dedicada a aproximar a ciência da tomada de decisões em biodiversidade? A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) foi criada em 2012 justamente com esse propósito: conectar o conhecimento científico às políticas públicas que afetam a natureza e as pessoas. A IPBES é um órgão intergovernamental independente, hoje com 152 países membros, e desempenha um papel central nas discussões globais sobre o futuro do planeta.
Neste ano, a Plataforma iniciou a Avaliação sobre Planejamento Espacial e Conectividade Ecológica (Spatial Planning and Ecological Connectivity Assessment). Esse relatório pretende analisar o conhecimento científico, técnico e tradicional sobre como planejar o uso da paisagem de forma integrada, garantindo que áreas naturais permaneçam conectadas e que os ecossistemas possam continuar gerando as contribuições para as pessoas mesmo em territórios transformados, além de fornecer ferramentas úteis para apoiar processos de tomada de decisão em diferentes instâncias e escalas.
A primeira reunião de autores aconteceu entre os dias 22 e 26 de setembro no Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA), na Áustria, marcando o início oficial dos trabalhos da avaliação, que será organizado de modo a subsidiar a implementação do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, acordo internacional que estabelece metas ambiciosas para deter a perda de biodiversidade até 2030 no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).
Com sua candidatura apoiada pelo governo brasileiro, foram selecionados para contribuir com esse processo Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, doutor em Ecologia, professor do Mestrado Profissional em Ciência da Sustentabilidade da PUC-Rio, especialista sênior do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), pesquisador associado do Instituto Arandu e diretor-proprietário da Flexus Consultoria em Sustentabilidade e Biodiversidade, e Luisa F. Liévano, doutora em Ecologia e Evolução e analista de sustentabilidade do IIS, participando como revisor e fellow na avaliação, respectivamente.
Durante o encontro, os autores fizeram discussões sobre o conteúdo dos seis capítulos que vão compor a avaliação, decidindo os principais tópicos a serem tratados, considerando a inclusão de métodos, cenários, perdas-ganhos (trade-offs), modelos e conhecimento, destacando o conhecimento de comunidades indígenas e locais (Indigenous and Local Knowledge – ILK). Também foram feitas reuniões entre capítulos para garantir que não há sobreposição entre os temas a serem tratados em cada capítulo e que a avaliação forneça informação importante que possa apoiar a tomada de decisão relacionada com planejamento espacial e conectividade. Após a reunião, os autores vão trabalhar em uma primeira versão da avaliação, a qual será enviada para revisão interna no primeiro semestre de 2026. Aproximadamente na metade do ano, será realizada a segunda reunião de autores, os quais logo trabalharão na segunda versão da avaliação. Uma vez que o documento esteja finalizado, será apresentado para discussão e aprovação provavelmente pela 13ª Plenária da IPBES a se realizar em 2027.